Ficha de Património Imaterial

  • N.º de inventário: PROC/0000000054
  • Domínio: Práticas sociais, rituais e eventos festivos
  • Categoria: Festividades cíclicas
  • Denominação: Carnaval de Torres Vedras
  • Contexto territorial:
    Local: Torres Vedras
    País: Portugal.
  • Caracterização síntese:
    O Carnaval de Torres Vedras consiste numa festividade, de cariz urbano, baseada num conjunto de manifestações sociais, performativas e rituais, que os seus detentores reconhecem como fazendo parte integrante do seu património cultural, sendo transmitida e recriada de geração em geração. O Carnaval é assim uma manifestação cultural protagonizada por toda a comunidade, independentemente da proveniência geográfica (meio urbano/rural), de género ou de idade, visto ser uma manifestação fortemente enraizada no seu referencial identitário coletivo.

    Este carnaval apresenta, por um lado, características tipicamente urbanas, proveniente de uma elite local republicana e de um grupo social emergente comercial/industrial, que no início do séc. XX introduziu o corso, os carros alegóricos e as batalhas de flores ou os reis do Carnaval (os quais remontam aos modelos carnavalescos franceses e italianos). Por outro lado, apresenta simultaneamente algumas reminiscências do entrudo rural, designadamente a queima do entrudo na quarta-feira de cinzas.

    As ruas do centro da cidade são temporariamente fechadas ao trânsito para a realização do programa festivo que se estende por cerca de seis dias, dada a importância da vivência do Carnaval para a comunidade. Entende-se que a singularidade da festa consiste nos seguintes elementos:

    1 - O rei e rainha do Carnaval e símbolos associados

    Destaca-se a tradição da seleção de dois homens da comunidade para desempenharem o papel de rei e rainha do carnaval, assim como os seus símbolos, que persistem desde o início do século XX.

    2 - A Existência de uma titulatura ou "dinastia" Régia

    Associada à tradição dos reis do Carnaval, existe uma dinastia dos títulos dos reis, os quais mudam anualmente (mesmo que o reinado dure mais tempo). Os nomes são escolhidos satirizando os assuntos mediáticos contemporâneos.

    A linhagem real teve início em 1923 (sem rainha) e a partir de 1924 (com rainha). Os primeiros representantes foram Álvaro André de Brito (rei) e Jaime Alves (rainha).

    3 - A Matrafona como fenómeno social e coletivo

    A tradição dos homens da comunidade se fantasiarem de matrafona (desde o início do séc. XX) configurando-se num fenómeno social coletivo e intergeracional que se traduz numa afirmação identitária da comunidade transmitida e veiculada de geração em geração.

    4- O Ritual de chegada dos Reis à estação ferroviária e entrega das chaves

    A Chegada dos reis/entronização, com partida na estação de caminho-de-ferro culminando na entrega das chaves aos reis pelo presidente da Câmara.

    5 - O Envolvimento e participação da comunidade

    Destaca-se o envolvimento da comunidade, na produção/reprodução da festa, quer pela forte participação das associações carnavalescas ou foliões na festa, quer pelo investimento canalizado pelos indivíduos na seleção/preparação ou aquisição da máscara/fantasia e reforço de redes de sociabilidade no seio dos grupos e comunidade.

Secretário de Estado da Cultura Direção-Geral do Património Cultural
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