Ficha de Património Imaterial

  • N.º de inventário: PROC/0000000107
  • Domínio: Competências no âmbito de processos e técnicas tradicionais
  • Categoria: Pesca e aquicultura
  • Denominação: Arte Xávega da Meia Praia
  • Contexto territorial:
    Local: Meia Praia
    País: Portugal.
  • Caracterização síntese:
    A arte xávega da Meia Praia é uma técnica de pesca tradicional com arte envolvente-arrastante e alagem para terra, cujo objetivo é cercar e alar espécies costeiras. A “arte”, como também é denominada, pela comunidade, é formada por uma rede com um saco central e duas asas laterais que terminam nos calões (extremidade das asas), aos quais são atadas as cordas ou calas, por meio das quais de inicia a alagem da arte. É praticada de março a novembro, na Meia Praia, em Lagos, praia com características geomorfológicas muito favoráveis ao uso desta técnica de pesca por ter um amplo areal e o fundo marinho arenoso. A “arte” é lançada ao mar com o apoio de uma embarcação, deixando um cabo em terra, a banda panda, e regressando com o outro cabo, a banda barca. Depois, de terra, a arte (rede) é puxada pela companha e ajudantes. Este processo, sendo feito manualmente, com a força braçal humana, tem uma duração média de quatro horas, desde o lançar da embarcação ao mar até à arrumação da zona de trabalho. Por este motivo, só é possível fazer um lanço e, considerando que é necessário embarcar as redes para um novo lanço, a arte xávega só é lançada, no máximo, três vezes por semana; sempre ao nascer ou ao pôr-do-sol e com a maré baixa. A arte xávega da Meia Praia, praticada na comunidade local, sempre se revestiu de grande importância devido às dinâmicas socioculturais e económicas de natureza cooperativista que ali se estabelecem. Os indivíduos que participam nesta manifestação cultural enquadram-se em duas tipologias: os companheiros ou camaradas e os ajudantes ou ajudas. No primeiro grupo estão os indivíduos que desempenham funções específicas, no segundo grupo enquadram-se todos os que aparecem no dia da pesca para puxar a arte e ajudar no restante processo operativo. Em termos gerais é um grupo heterogéneo, composto por homens e mulheres de variadas faixas etárias e de grupos socioprofissionais diversos. Participam nesta actividade para não deixar morrer a tradição, pelo convívio, e pelo prazer que retiram de uma actividade recolectora que os coloca como protagonistas directos da sua subsistência, pois no fim também levam o seu quinhão de peixe devido pela cooperação neste processo produtivo - depois de retirado o melhor quinhão que vai à lota.
Secretário de Estado da Cultura Direção-Geral do Património Cultural
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